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Contos de Fora

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INSULTO?


A senhora tem uma cara…semelhante ao bana. Vendia todos os dias. A tarde. Tinha a vida igual a todas as Marias, era exatamente esse o nome dela, Maria Antónia, como se as antónias fossem diferentes de todas as marias, as marias antónias contribuíram para construir essas ilhas pedra a pedra e homens a homens, agora se esqueceram de tudo para estribarem no VBG. Essa coisa de VBG nos tira toda a graça de ser mulheres batalhadoras e badias. De fora. Dizia sempre a Nhanha, depois de voltar da apanha da água no fundão, bater a roupa das crianças, limpar o chiqueiro dos animais e bainhar a calça do marido que se encontrava no hospital. Sim. A beber e a ouvir a musica de Cálu Mendes. Cacharamba só.

A senhora Maria passava todas as quatro horas da tarde na rua de hospital, para vender pães de coco e pizza, o que não esperava receber naquela tarde era o des-insulto, ou será insulto? da dona Rosalita. A Maria andava com a cara sempre amarada como se o tempo armasse para umas boas as águas, mas não, ela nasceu com aquela cara, e era aquele estado o seu estado normal, na alegria e na tristeza, era aquela a cara dela. – Ei, dona Maria! Cara moda bana! Disse a Rosalita, sorrindo, ela, uma mulher que nunca chegou a ter filhos, tendo em conta que passou anos a espera do seu marido que embarcou a vinte e tal anos e até hoje não deu sinal, e muito menos notícias, mas a Rosalita mantinha um bocadinho do cabelo dele guardado como sinal de esperança.

Dona Rosalita não aceitava, mas, ela estava abandonada como as cidades desprovida de vida, tinha cabelos despenteados, roupas aos trapos, a pela denunciava a falta de banho assim como as novas cores dos dentes meio amarelado, realmente parecia a cidade de abandonada, quem sabe o Chernobil ou Sanzhi no Japão. Muitas vezes se consola nas mornas do Bana para encurtar a solidão e as coladeiras para brandar o desejo de sentir o dedilhar da carne. Por isso essa intimidade com a imagem poderosa da cara do Bana.

Mas a Maria com toda a sinceridade, voltou a cara para a Rosalita e disse. -o quê que me disseste? Rotu Baka?
A Rosalita estava rindo, permaneceu a rir, como se ela entendesse o que é que se estava a passar a na cabeça da Maria que percebeu tudo ao contrário. Maria chateada foi fazer a queixa no senhor Caxias, chefe de esquadra que se situava na curva que dá acesso a vila de Mangue, mas o senhor Caxias que já conhecia a senhora Rosalita logo se aprontou a tentar ajudar no apaziguamento. – Acho, que ela disse outra coisa dona Maria, talvez ela tenha dito, “rostu ma bana” e não “rosto ma baka”.

Mesmo assim a dona Maria não se conformou dizendo. -Se ela, ousar em me dizer “rosto ma bana”, então é mais grave ainda, ai vou ao tribunal, ora essa. Não precisa dona Maria, retorquiu o chefe de esquadra das pequenas delinquências de Colhe Bicho. Pensou profundamente o chefe e voltou a confrontar a dona Maria.

-Dona Maria, olha, o Bana é grande artista, e olhando bem, porque não transportar essa brincadeira para pães de coco que produzes, assim, todos os dias, dizia, “nhos cunpra pon ku rostu moda bana”. Pensou, pensou dona Maria e depois acabou por achar a ideia legal, mas o que não era bem legal era usar o nome do grande homem para o empreendedorismo em pleno Colhe Bicho, por isso o chefe logo a avisou. -Mas Maria cuidado com o que estas a dizer, diga somente aqui na zona, que fica tudo bem, porque aqui temos direito a ser os representantes da bacandessa. - Pois senhor chefe os meus pães a partir de hoje vão chamar sim… “ pon ki ta parci ku rostu Rosalita” disse a Maria que voltou a perguntar. – o que achas chefe? E o chefe

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